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Siga o coelho e entre na toca, Aqui você vai encontrar textos sobre várias coisas te convidando a refletir. Mas lembre-se, eles foram escritos por alguém e expressam uma opinião, não uma verdade, você pode discordar ou não. * Spoilers estão identificados e ocultos, para ler selecione o trecho.

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sexta-feira, 27 de outubro de 2017

O Conceito de Amizade em Stranger Things




Com a volta de Stranger Things, depois de um ano de espera de muitos fãs, eu me vejo no dever - mais do que de fã da série, como entusiasta de séries, do upside down dentro do geek no nosso mundo e amante referências - de trazer um pouco do universo narrativo dessa produção. Ambientada nos anos 80, com uma trilha da época que faz juz ao cenário e um clima nostálgico de sessão da tarde com referências desde Steven Spilberg a Stephen King; a série traz enigmas, mistérios e amizade na fictícia Hawkins em Indiana, onde um grupo de garotos investigam o desaparecimento de Will ao mesmo tempo em que sua mãe entra num estado de desespero enquanto procura pelo filho seguindo pistas ao se comunicar com ele através de estranhos sinais. A comoção pelo desaparecimento toma conta da cidade, o chefe de polícia Hopper assume a investigação que acaba agindo como um gatilho em meio a suas memórias da filha que ele perdera tempos antes. Os acontecimentos ganham proporção e envolvem cada vez mais pessoas, até que eles conhecem Eleven e descobrem o que está acontecendo ao mesmo tempo em que a companhia elétrica tenta encobrir o rastro dos seus experimentos e um mundo paralelo - upside down - que coexiste sob a superfície está prestes a vir a tona.

Mas você vai falar só de Stranger Things?
Vou sim.



Mais que uma coletânea de referências em homenagem aos anos 80, Stranger Things é sobre amizade. A série começa com uma sessão de RPG de Dungeons & Dragons entre o grupo de amigos, estabelecendo uma conexão entre eles e trazendo o espectador para o lado deles  dentro da mesa da aventura. Já nesse momento conhecemos o que cada um representa no grupo ao ver seu comportamento no jogo como uma metáfora de seu convívio cotidiano. Esse momento inicial é muito significativo porque mostra a forma como as crianças enxergam as coisas e as relações  pessoais, bem como o jeito de resolver seus problemas: para eles, a vida e o mundo são uma grande aventura de Dungeons & Dragons e isso é reiterado aos poucos mais para frente conforme somos introduzidos cada vez mais nesse universo infantil. A grande metáfora é o momento em que Will revela para Mike o real valor que havia tirado no dado e recebe um veredicto sobre ter sido pego ou não pelo demogorgon independente da partida já ter se encerrado - isso mostra inclusive a honestidade de Will acerca dos dados.

Então acontece algo de maravilhoso: depois de encontrar Eleven e ajudá-la levando-a para casa onde ela encontra abrigo longe dos cientistas da companhia elétrica, os meninos precisam ensinar a ela o conceito de amizade. Porém isso se dá segundo a concepção que há entre eles, seus próprios códigos e valores. Mike da abrigo em sua casa, confia nela contrariando Lucas na esperança de encontrar Will enquanto Dustin é o elo remanescente entre o grupo de amigos. E, quando surge a necessidade, eles constroem para Eleven um conceito - complexo de se colocar em palavras - extremamente simples e puro para definir amizade, profundo e que une eles segundo aquilo que eles acreditam.



Pode soar óbvio que promessa é algo que não se quebra, mas Eleven não tem o referencial do que é uma coisa realmente confiável após conviver nas dependências dos laboratórios da companhia elétrica. Ela não tem em seu repertório conceitual a noção de amizade. Quando Mike diz que amigos não mentem, ela não tem em sua memória uma referência do que é uma relação baseada em verdade. - Amigos contam a verdade sempre. E eles nunca mentem um para o outro. - A definição de amizade para os meninos se baseia na relação de convívio que eles têm, na troca, confiança e companheirismo natural cotidianos. Existe ali um manual invisível que eles precisam transcrever para ela entender esse tipo de relação, - Um amigo é alguém por quem você faria qualquer coisa. Você emprestaria as suas coisas legais como gibis e cards raros. E eles nunca quebram uma promessa. -  essa é a forma mais pura, inocente e verdadeira que os meninos encontram para definir amizade e é a essência da série. É em cima desse conceito que Eleven vai se moldar ao conviver em sociedade fora da condição de cobaia.

Cada personagem expressa e demonstra sua percepção dos relacionamentos construindo ao longo da narrativa seu referencial: Nancy aprende a conhecer Jhonatan e redescobre ele como pessoa reconstruindo seus conceitos a seu respeito conforme o conhece melhor enquanto eles se ajudam mutuamente ao procurar por Will e Barb; ao mesmo tempo ela ajuda Steve a ser uma pessoa melhor ao mostrar para ele que não é preciso ser um valentão para ter atenção e ser legal dentro do grupo de amigos - pelo contrário. Enquanto as crianças percebem o mundo através do RPG com suas metáforas e precisam ensinar Eleven sobre amizade, Nancy redescobre a si mesma como uma pessoa forte e capaz que não depende de um namorado para ser uma pessoa aceitável socialmente ao ser exibida pela escola ao seu lado. Então, com o tempo, ela se transforma num novo elo de amizade que une diferentes pessoas.



Recheada de referências a filmes e livros que remetem ao nosso imaginário popular - Star Wars, ET, Alien, Freddy Krueger, Tubarão, Carrie - a estranha, It - a coisa, Clube dos Cinco, Conta Comigo, X-Men, Poltergeist, O Hobbit, entre várias outras narrativas e aliada a uma trilha sonora cuidadosamente escolhida, Stranger Things traz a tona uma atmosfera nostálgica que consegue construir esse clima das relações interpessoais dentro do contexto de homenagem e referências de forma maravilhosa.

sábado, 23 de setembro de 2017

Visi(BI)lidade - The Emmy Goes To

*Pode conter spoiler de Black Mirror - San Junipero






Em meio a tantas campanhas importantes, eu vi a necessidade de falar sobre algo apagado e muito relevante. Muita gente não sabe, mas setembro também é o mês da visibilidade bissexual, embora seja pouco divulgado e acabe ofuscado por tantas outras campanhas como o Setembro Amarelo que combate o suicídio e a depressão. Mas o B da sigla LGBT+, não é Bolacha (nem Biscoito se você for carioca, a gente respeita todas as origens aqui), é bissexual mesmo - sim, bissexuais existem, eu juro - e sofre um apagamento e uma discriminação dentro e fora da comunidade LGBT+ sendo consideradas pessoas indecisas entre outros no leque da bifobia. A bissexualidade ainda é pouco representada tanto nas campanhas de conscientização, promoção de informação, contra discriminação e nas mídias e entretenimento. Esse último um espaço importantíssimo para chegar até as pessoas um retrato, se não fiel, ao menos verossímil em relação a diversidade existente na vida real e causar uma reflexão acerca da sociedade mostrando que esse leque de possibilidades existe sim.




Um exemplo de como isso é ofuscado em meio a tantas outras informações é a própria história: em 1999 três ativistas dos direitos bissexuais dos Estados Unidos: Wendy Curry do Maine, Michael Page da Flórida, e Gigi Raven Wilbur do Texas escolheram o dia 23 de setembro para celebrar a bissexualidade e fazer com que essa parcela da sociedade muitas vezes esquecida pelos debates fosse notada. Embora verídico, eu encontrei apenas isso em uma pesquisa longa com a intenção de trazer dados, mêses atrás quando pesquisei sobre a visibilidade LGBT+ de uma forma geral eu achei dados muito mais completos. Nós esbarramos em uma divulgação ainda pequena nos dias atuais. Essa data foi criada em resposta à marginalização que as pessoas bissexuais sofrem dentro e fora da comunidade LGBT+ convidando a discutir e combater a bifobia presente na sociedade, ainda que velada e camuflada em outras formas de se manifestar.

bis·se·xu·a·li·da·de |cs|
substantivo femininoQualidade de bissexual.
Palavras relacionadas: bifobia, bissexual, bifóbico
bis·se·xu·al |cs|
adjetivo de dois gêneros 
1. [Botânica]  Diz-se da flor que reúne os dois sexos. 
2. Hermafrodita. 
3. Relativo à bissexualidade.adjetivo de dois gêneros e substantivo de dois gêneros 
4. Que ou quem tem atração ou interesse sexual pelos dois sexos.(https://www.priberam.pt)


A diversidade sexual já ganhou muito espaço  no meio do entretenimento e aumentou significativamente sua representação, mesmo longe de uma dimensão e construção ideais. Porém a expressão da bissexualidade na mídia ainda deixa a desejar. Segundo dados da GLAAD - Gay & Lesbian Alliance Against Defamation, uma organização não governamental com o objetivo de monitorar a forma com que a mídia retrata pessoas LGBT+, fundada em 1985 em NY para responder a cobertura sensacionalista de uma epidemia de AIDS - , o número de personagens bissexuais aumentou e as mulheres estão mais representadas. Mas isso passa uma idéia errada de que elas são mais aceitas quando, na verdade, algumas ainda estão sendo fetichizadas e sexualizadas pelos meios de comunicação para satisfazer um desejo machista da nossa cultura. Muitos personagens ainda são retratados dentro de estereótipos da bifobia e precisam desconstruir esses (pré)conceitos tanto na mídia quanto na visão das pessoas.

Alguns personagens no entanto são colocados de uma forma muito coerente e verdadeira dentro da narrativa, trazendo para o espectador um momento de reflexão sobre a realidade.Em meio a esse contexto, no domingo (dia 17 de setembro) o Emmy premiou os melhores programas de televisão do horário nobre dos Estados Unidos - de acordo com a escolha da Academia de Artes e Ciências da Televisão. Entre as escolhas campeãs desse ano está “San Junipero”, o quarto episódio da terceira temporada de Black Mirror, vencedor na categoria melhor filme feito para a TV e também como melhor roteiro em minissérie. A série é conhecida por expor o pior lado do ser humano com uma narrativa trazendo um futuro relacionado diretamente ao uso da tecnologia, além dos já habituais finais trágicos que fazem o espectador refletir sobre a forma com que leva a vida. Porém San Junipero se destaca nesse sentido por acabar de forma surpreendentemente bem, embora ainda cause um desconforto a respeito dos temas abordados - vida e morte.





San Junipero é uma cidade simulada para abrigar as pessoas em sua pós morte, muitas delas vivem uma experiência ainda em vida para saber se querem morar ali ou não. Yorkie e Kelly se conhecem em um bar local, aparentemente na década de 80 e vivem uma tensão sexual até se conhecerem melhor e se entregarem a essa paixão assumindo o que há entre elas. Yorkie revela que é sua primeira vez com alguém, seja homem ou mulher, já Kelly é bissexual e já foi casada por um bom tempo. Entretanto, elas só ficam juntas após Yorkie procurá-la através do tempo em San Junipero, em épocas diferentes, até conseguir encontrar Kelly, conquistar sua confiança e ambas trocarem histórias sobre si. Kelly confessa que está morrendo na realidade e não tinha qualquer intenção de estabelecer uma ligação genuina com outra pessoa dentro da simulação, já Yorkie é uma mulher que vive paralisada há mais de 40 anos, ocasião em que seus pais a rejeitaram por ser lésbica e ela bateu o carro num acidente.

O roteiro apresenta personagens lésbica e bissexual complexas e bem desenvolvidas, ambas realidades com histórias de luta geralmente apagadas dentro e fora da ficção. Além disso traz uma reflexão densa a respeito da vida e morte; e a forma como lidamos com isso fazendo com que o espectador pense a respeito de suas atitudes levando-o a valorizar mais aquilo que tem ao seu alcance.


Black Mirror é conhecido por tocar em feridas ao falar de forma pesada sobre assuntos delicados revelando facetas do ser humanos, esse episódio traz - entre possibilidades - uma alternativa na qual os personagens podem ser felizes, ou é isso o que nós queremos acreditar ao assistir. Entre poucas representações e entre tantas delas problemáticas, San Junipero apresenta uma situação delicada e profunda levando dois merecidos Emmys.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Baseado em Fatos Reais



A dúvida que paira no limiar entre a realidade e a ficção traz uma sensação de imersão deliciosa. Quem nunca quis compartilhar por um momento os medos, alegrias, conquistas e tudo o mais pelo que o personagem passava? - admita que sim, não vamos contar para ninguém. Vamos concordar que não tem nada melhor do que terminar um filme com aquele sentimento pós créditos depois de um “Baseado em fatos reais” se perguntando se era tudo marketing da ficção ou se aconteceu de verdade trazendo um arrepio na espinha do início ao fim, ou então iniciar um livro já com a semente da dúvida plantada logo no prefácio quando nunca saberemos se o autor - foi ele mesmo quem escreveu? É o relato de um sobrevivente? São vestígios de alguém que não sobreviveu? - fez parte daquilo ou não. Ah, isso não é maravilhoso? Essa linha entre a ficção e a realidade baseada num e se? regada a referências, easter eggs e vestígios trazendo a narrativa cada vez mais para nosso mundo.





Nós vivemos de referências (tudo bem, você talvez não, eu digo nós ~ amantes de ficção... Ficção?), afinal Steve Rogers tá aí pra isso né. Mas se a arte imita a vida, a vida imita a arte e nós nunca saberemos o que realmente aconteceu primeiro. E não seria estranho demais encontrar histórias na vida real que traçam uma tênue coincidência (será?) com a ficção e flertam com nossa percepção do que é ou não real? É o que acontece quando a realidade extrapola a ficção e encontramos relatos como “shadow people”.

Embora não exista um consenso científico para definir o que realmente são shadow people, esse é um termo usado para se referir a certas sombras em formato humano que algumas pessoas enxergam brevemente ou ainda relatam terem sido visitadas enquanto dormiam. As divergências das definições vão desde espíritos malignos até viajantes do tempo e alienígenas, ou simplesmente pessoas presas entre o mundo espiritual e o material. Se é verdade ou não, não há provas nem consenso, mas essas sombras permanecem sendo relatadas


Um livro com uma premissa muito peculiar que passa uma sensação muito parecida com essas sombras é Brightville do Mateus Rizzo, autor do Wattpad - plataforma de publicação online.




Sinopse:
Brightville, uma pequena e tradicional cidade do estado de Washington, representava tudo que Mark, um obsessivo e problemático ex-agente do FBI, e sua família precisavam. Tranquilidade, um bom ambiente e, principalmente, uma tela em branco, onde pudessem recomeçar. Após alguns meses em Brightville, porém, a ilusão de tranquilidade começa a se desfazer e a cidade pequena e nevoenta passa a se parecer cada vez mais com um cenário de terror, trazendo a tona velhas chagas e feridas que o tempo não conseguiu cicatrizar. Quando um criminoso brutal começa a atacar nas noites da cidade, as coisas chegam em um ponto de ebulição e Mark precisa descobrir os segredos de Brightville e o que realmente se esconde nas sombras, antes que tudo se perca, incluindo sua família, a cidade e ele mesmo.



Esqueça os clichês de gênero, esqueça qualquer coisa que vier a sua mente ao imaginar terror. Muito mais que o sangue e o gore, o livro vai além e traz um jogo psicológico, um jogo com o pavor íntimo de cada um, o verdadeiro terror. Mas antes de tudo traz um cuidado notável e minucioso com o texto em cada palavra e expressão ao elaborar diálogos e situações muito bem escritos e verossímeis com seu contexto social, é extremamente fácil enxergar as cenas acontecendo da forma como são descritas pelo cuidado que o autor tem com o cenário e o léxico adequado.


Nós entramos em Brightville com Mark, com a promessa de uma vida nova, acompanhamos ele em sua mudança e somos tragados com ele num caminho sem volta. Mais que um cenário, Brightville é o personagem principal dessa estória. A cidade é um organismo vivo que dorme e acorda junto com as pessoas e em meio a Brightville há um outro personagem enigmático com o qual seus habitantes convivem: a escuridão.


O leitor imerge na tensão do personagem conforme cai a noite, e precisa correr atrás de todas as peças encaixando-as antes que amanheça porque logo será um novo dia e antes que perceba cairá a noite mais uma vez. A narrativa te leva entre os personagens num ritmo frenético de acontecimentos simultâneos durante as noites enquanto eles são obrigados a encarar seus medos e fracassos do passado revivendo-os. Nós conhecemos os personagens pelo ponto de vista do narrador e dos outros personagens como se fossemos mais uma pessoa comum da cidade conhecendo-os. Depois somos levados ao seu passado para encarar seus medos junto com eles em meio a suas mentes num jogo sádico e doentio entre Mark e um vilão invisível dez passos a sua frente.


O livro te convida para mudar de vida com Mark em uma pacata cidadezinha, tentador e irrecusável. Você aceita, óbvio, é um convite sedutor e atraente, porém sem volta. Uma cidade onde cada um tem uma motivação que o faz seguir em frente mas tem também o peso da culpa e do medo; a sombra dessa culpa e medo residentes no passado paira agora sobre seus donos. Você sabe o que é real quando as luzes se apagam?
Bem vindo a Brightville: uma cidade pequena, um futuro brilhante. Não esqueça de apagar a luz ao fechar a porta deixar a luz acesa.


O autor, Mateus Rizzo, é um cara qualquer: 19 anos que devia crescer, mas, em vez disso, prefere escrever histórias de terror e compartilhar fotos de gatinho nessa grande rede mundial de computadores. Mentira, de qualquer ele não tem nada e vocês podem conferir isso na entrevista exclusiva. “Conta pra gente como você se sentiu quando descobriu que a realidade plagiou seu livroClique aqui para ler a entrevista.


Entre ficção e realidade, fica ai o questionamento. Na dúvida deixo o link do livro aqui ;)
Página do autor aqui



sexta-feira, 12 de maio de 2017

Todos os Porquês do Mundo

13 Reasons Why vai para seu segundo mês e já não é nem de longe uma novidade, deixando espaço para outras polêmicas muito mais atuais no nosso mundo movido pela urgência da tecnologia onde vivemos a cada dia um novo ~museu de grandes novidades~ (enquanto corremos contra o tempo para chegar desesperadamente ao final de mais uma temporada e ao mesmo tempo fugir dos spoilers). - Cazuza tinha razão quando profetizou a nossa vida quase trinta anos atrás. Então porque vou falar sobre isso?


Por que uma menina morta mentiria?


Mas esse mesmo mundo é cheio de Porquês, então mesmo que um mês pareça anos e milhares de coisas já tenham acontecido e sido ultrapassadas, mesmo que milhares de coisas já tenham sido ditas sobre 13 Reasons Why - ainda que milhares de pessoas continuem por ai ignorando todas elas - , mesmo que milhares pessoas já tenham sido atingidas pela importância de 13 Reasons Why e isso tenha sido exaustivamente debatido, acredite… ainda existem milhares de Porquês no mundo. Ainda existem milhares de Porquês em todos os lugares, assim mesmo com maiúscula, pessoas porquês.  Por isso mesmo depois de tanto tempo, depois dessa infinidade de coisas que já aconteceram em tão pouco tempo ainda é importante falar sobre o quão absurdo é existirem tantos Porquês.

Hannah Baker deixa uma caixa com fitas cassete nas quais ela gravou todos os motivos que levaram ela a cometer suicídio, essas fitas são endereçadas a cada um que contribuíram para seu declínio. Ou seja, cada um que era um Porquê tem sua própria fita contando o que fez e como aquilo ajudou a matar Hannah. Todos, de alguma forma, afetaram a vida de Hannah. Ela deixa como um aviso e (por que não?) uma satisfação, quem sabe um alerta. Mas ela também desencadeia um efeito dominó ao disparar milhares de gatilhos em nós e em todos a sua volta mesmo depois da sua morte. [spoiler] Enquanto nós somos arrastados e levados com ela cada vez mais para o fundo do poço, vemos disparar um gatilho atrás do outro desde os mais comuns como bullying no colégio até relacionamentos, abusos,  machismo, cultura do estupro, estupro e por fim o próprio suicídio. Todos a sua volta a quem as fitas estão endereçadas contribuíram para o rumo angustiante e desesperador que sua vida toma enquanto ela tenta pedir ajuda de várias formas. Menos Clay, ele não fez absolutamente nada e foi exatamente isso o que ele fez de errado. Porque se você vê tudo o que está acontecendo de errado e não faz nada para impedir, você é parte de tudo aquilo. O maior erro do Clay foi estar presente em cada um dos momentos de alguma forma, direta ou indiretamente e não salvar Hannah dos outros ou dela mesma. Ele foi um espectador da vida dela quando poderia ter sido parte dela. Hannah coloca ele nas fitas como um dos porquês com outra explicação mas a verdade é que ele assistiu muitas coisas acontecerem assim como muitas pessoas assistem muitas coisas acontecerem todos os dias e se calam. Existem muitos Clays que poderiam mudar muitas histórias de muitas Hannahs todos os dias. [/spoiler]

Então eu acho muito seguro dizer que a maior mensagem da série é empatia e foi ai que eu percebi que havia algo muito errado com as pessoas. O primeiro grande paradoxo aconteceu ainda enquanto eu assistia a série, eu estava lendo comentários sobre um dos episódios em um aplicativo e algumas respostas eram pesadas, ignorantes e discriminatórias, era um absurdo e sem sentido que aquelas pessoas estivessem assistindo a mesma coisa que eu. Eu não conseguia entender como aquilo não estava tendo o mesmo impacto naquelas pessoas, como elas poderiam agir daquela forma ou pior: como elas poderiam absorver tudo o que estavam assistindo e ainda assim agir daquela forma com tanto ódio e preconceito.

Numa tentativa de fugir das nossas responsabilidades e nos isentar das nossas culpas diárias, buscamos desesperadamente justificativas para nossos atos ao nos apresentarmos aos outros com uma identificação com Hannah Baker, quando na verdade somos todos Porquês fugindo do choque de uma realidade escancarada nos escondendo de nós mesmos. Sejam esses atos grandes ou pequenos. Em meio a tantos gatilhos a que somos expostos ao longo das treze fitas, é mais fácil - e muito conveniente - sermos uma Hannah do que admitirmos que já fomos um (ou muitos) Porquê alguma vez na vida e encarar que a realidade é muito pior do que gostaríamos. Para não ser um Porquê temos que saber que podemos ser um a qualquer momento, temos que aceitar que provavelmente já fomos um em algum momento e que terrivelmente podemos ser de novo. Mas podemos não ser e isso só depende de como encaramos e aceitamos todos os porquês do mundo. Nós vivemos todos os dias milhares de gatilhos e todas as pessoas a nossa volta também, cada um trava sua própria batalha para desviar deles e sobreviver ao mundo - e a si mesmo. 


 Todo mundo que você encontra está lutando uma batalha que você não conhece, seja gentil sempre.

 
Já temos gatilhos demais no mundo, não seja mais um Porquê na vida de alguém. Existem muitos pedidos de ajuda silenciosos a nossa volta e tudo o que essas pessoas precisam é empatia.

domingo, 17 de julho de 2016

O Fim de Uma Era, O Início de Uma Lenda




O dia 15 de julho pode parecer uma data como outra qualquer, mas se você é um fã de Harry Potter sabe que ela representa o marco do fim de uma era na vida de uma legião de tantos outros fãs- e se não é, não conhece o sentimento único de ter vivido essa era. O dia do lançamento do último filme colocou fim a toda a trajetória narrativa definitivamente e matou o sentimento de esperar por algo mais um ano, mais um mês, mais um pouco, mais uma teoria… mais uma esperança. Colocou um ponto final - necessário em toda grande estória - e lançou-o para a história com todo seu mérito.



Moça, a senhora não está sendo tendenciosa? ~estou sim, é um relato de fã ~ ah, ok

Ser fã de Harry Potter é especialmente peculiar quando, em primeiro lugar, você acompanha sete anos da vida dos personagens vendo eles crescerem e se desenvolverem em momentos delicados como a infância e adolescência - na maioria das vezes junto com você, independente da sua idade ou do momento em que você viva estará crescendo e amadurecendo junto com eles. Isso é particularmente único e traz uma experiencia de imersão naquele universo narrativo.

Com personagens profundos, complexos e humanos, tão humanos que em meio a trevas e luz de cada um vemos seus medos e anseios mesmo naqueles mais sombrios entre metáforas e simbolismos. Um mundo mágico com o bem e mal relativos e distorcidos que faz com que se enxergue um pouco de nós em cada personagem criando uma identidade e afinidade com a estória. Entre tantas mensagens que a estória traz, a discriminação óbvia e latente entre bruxos/não bruxos se destaca como uma metáfora para vários problemas reais puxando nas entrelinhas todas as outras. Você que já sofreu com algo, é uma pessoa diferente dos colegas da escola, tem problemas com sua família ou tem uma renda mais baixa, ou não tinha nenhum desses problemas mas precisou lidar com algo pessoal em algum momento vai se sentir representado de todas as formas possíveis nas entrelinhas desse mundo mágico e secreto cheio de mensagens profundas por trás da narrativa simples e acolhedora.


Disfarçado de ~livro de criança~ a estória é, no fundo, com toda a simplicidade de seu texto uma releitura da segunda guerra com simbologias de grandes problemas reais que enfrentamos ainda nos dias de hoje. Para pessoas de todas as idades, com uma fundamentação narrativa estruturada de forma que suas mensagens toquem a cada um de uma forma diferente agindo em suas necessidades pessoais e indicando-os caminhos. Conforme seus leitores crescem e amadurecem, os personagens também crescem, mas nunca estarão velhos demais para esse mundo com tantas leituras e níveis de interpretações diferentes.

Se ~ Palavras são, na minha não tão humilde opinião, nossa inesgotável fonte de magia. Capazes de ferir e de curar., segundo Alvo Dumbledore ~ a autora fez delas seu melhor uso dando aos fãs da saga uma experiencia especial em seu percurso e ensinamentos.

Com dois dias de atraso, deixo meu muito obrigada a J.K.


~After All This Time?
Always

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Um Filme Grande Para Mentes Pequenas




A internet é um país muito curioso onde acontecem todas as tretas e controvérsias - curiosa e obviamente também é onde esses textos são escritos, olha só. - nós recriamos palcos de grandes guerras como Sith x Jedis, Guerra Civil, fora outras guerras que se desdobram nos comentários de pessoas como eu ou você em artigos críticos ou posts de redes sociais porque, afinal, uma peculiaridade do ser humano é essa coisa de ter que estar certo. E, convenhamos, críticos não estão exatamente certos, a maioria sequer entendeu bem o conceito de critica - não, não é criticar algo de forma absolutamente negativa. Se você abstraiu os críticos e foi assistir seu filme - seja qual for - , parabéns. Mas, se você entrou na onda da critica dos grandes sites ou das redes sociais (desculpe) você é um babaca. Dai nasceu uma nova guerra: críticos x fã do filme x fã da HQ x … fã da Marvel x fã da DC - não pera -  x ( … ) x nada não eu só curto uma treta mesmo.

Verdade incontestável número um: um filme ou uma série sempre será uma adaptação e nunca a obra original de onde a estória saiu. Número dois: nunca caberá em duas horas tudo o que gostaríamos de ver e entender; diretor, roteirista e editor não fazem milagre - mentira, faz sim, acredite porque você nem imagina o que eles fizeram para você poder assistir seu filme. Agora que você entendeu essas duas verdades podemos conversar. Eu estava tentando entender essa divergência entre amor e ódio pelo filme Batman vs. Superman (com a licença de vocês vou discutir ele hoje / fica a vontade miga / obrigada) e, veja eu li várias criticas e comentários,  cheguei a conclusão que as pessoas não falavam do mesmo filme. ~mas é possível? Sim ‘-’ ~ Possivelmente os grandes críticos ganharam bem para falar mal, boa parte dos leitores da HQ também receberam para procurar divergências e furos e uma parcela estava lá só para ver a parte positiva mesmo.



Em um cenário sombrio - sim raios, o que se esperava? tudo colorido, bonitinho e feliz? Porque diabos até isso foi um problema? - temos um Superman enfrentando um momento critico no qual a confiança da população foi abalada e desencadeou seu questionamento moral sobre sua função entre as pessoas. Do outro lado temos o Morcego justiceiro combatendo o crime em Gotham. Ambos tem concepções diferentes, histórias diferentes e abordagens diferentes para lidar com o crime, suas origens e histórias interferem claramente em seu desenvolvimento e levam ao que eles se tornaram. A perfeição e benevolência extraterrestre, impossível de ser alcançada por um ser humano, obviamente rejeitada por muitos porque você rejeita aquilo que não te é natural e que você sabe que jamais vai atingir; e a fuga da realidade de um humano que usa a caça contra o crime para fugir de uma realidade e superar traumas do passado. Enquanto Superman prefere ser Clark, Wayne prefere ser Batman atrás do disfarce controverso que ajuda a superar seus traumas e coloca a justiça em suas mãos. Uma justiça tão questionável que coloca em xeque a moral relativizando-a -  bandido bom é bandido morto? - mas tudo bem, ele está combatendo o crime. Ironicamente é muito mais fácil para a população (e os espectadores) se identificar com Batman do que com um desastrado Superman que em sua perfeição de bondade e falta de humanidade - criado e educado para ser bom - causa tantos problemas para pessoas de fato inocentes.


[Spoiler] Segundo sua concepção moral, Superman não aceita a metodologia de caça a criminosos implantada em Gotham; por outro lado os últimos acontecimentos no deserto seguido pela explosão que o mesmo não foi capaz de impedir ou sequer prever foram suficientes para inclui-lo na lista de criminosos de Batman como alguém que merece tanta confiança da população como qualquer outro bandido. Ironicamente, em suas concepções, ambos estavam certos. Suas crenças e valores só fizeram com que afundassem cada vez mais nos jogos de Lex jogando um contra o outro, mergulhados no abismo que haviam entrado foram incapazes de ver que existia um problema real entre eles, maior do que a questão moral de caçar criminosos ou colocar civil em risco - enquanto que para ambos a questão sempre foi proteger a cidade, por um meio ou outro. [/Spoiler]

Aparte controvérsias e diferenças quaisquer, - porque não li mesmo e ainda que tivesse lido não era isso que queria colocar - eu me pergunto se alguém enxergou todo o paradoxo de identidade e a complexidade do dilema moral, porque é tão bom e diferente de tudo que já tivemos até aqui. Porque temos essa identificação tão controversa.

Se ainda assim você não gostou, você assistiu errado. Assista de novo.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Saber Tanto Quanto o Personagem: Uma Imersão



Eu sempre gostei de estórias bem fechadas com começo, meio e fim. Todas as respostas nas nossas mãos, todos os nós dados, sem pontas soltas e uma coca, por favor moço. Para mim, se você vai contar algo que conte direito, eu era bem chata, não? Bem, essa visão mudou quando eu conheci The Walking Dead.

Você vai falar de The Walking Dead de novo?? / vou sim e se isso for um problema pode clicar ali no X da aba ._.



Muito bem, Rick acorda em um hospital e se vê em um mundo tomado por mortos vivos. Espera. Espera ai tio kirkman, tem algo muito errado nisso, está faltando algo aqui. Aqui ó, você não está me ouvindo né? Ele fatalmente não me ouviu e nunca soube que em sua HQ ficou faltando algumas páginas. Mas o que diabos aconteceu ali?? Como poderia ser normal você dizer que o mundo foi tomado por mortos vivos enquanto uma pessoa estava em coma sem explicar nada e todo mundo aceitar isso?

Mas tudo bem - não estava tudo bem, obviamente mas a vida continua né - a gente parte para os próximos quadrinhos, próximos episódios… Nós não sabemos o que acontece no mundo, sequer temos noticias de qualquer lugar através de artifícios do autor e a sensação de ~que diabos aconteceu naquela fenda temporal te persegue de uma forma bem incomoda.

Mas Fear…. - Não. Já falei sobre isso no outro post, me deixa continuar.

Só que de repente você percebe que esse desespero de não saber o que aconteceu é exatamente o mesmo do personagem e então te atinge em cheio a noção de como isso é genial, justamente o fato de não saber te proporciona os mesmos sentimentos do personagem. O mesmo desespero que ele, a mesma angustia que ele procurando sua família e depois o alivio de encontrar, a mesma confusão naquele mundo bizarramente transformado. Vocês passam pelas mesmas descobertas juntos e a visão de mundo do personagem se torna a sua. Pausa. Veja a genialidade, você entrou na mente dele, os olhos dele se tornaram os seus, a percepção de realidade dele se tornou a sua.

[spoiler] Eu acho que isso já caiu em conhecimento popular mas é bom usar a tag né. Bem, de repente eles descobrem que todos - tipo eu e você - já estão contaminados ou seja lá o que e só precisam morrer para virar walker e pense no quanto isso é desesperador e incrivelmente interessante. A essa altura que diferença faz você achar o paciente zero se não tem como curar as pessoas? Não tem como vacinar se não existe ninguém sem a “doença” para ser vacinado. É tão desalentador e caotico. Eu me lembro daquele momento na HQ da clássica frase “we are the walking dead” quando os personagens são tomados pelo choque de realidade que é de fato conviver com os mortos caminhando ao seu lado, assumindo esse mundo.[/spoiler]

Caminhar ao lado dos personagens - quase literalmente tamanha a sua imersão - até aqui, te proporciona uma sensação muito mais ampla e intensa quanto aos acontecimentos daquele universo. É um sentimento muito mais real e similar ao do personagem do que, se o autor te contasse seus segredos. Ele está te dizendo ~ eu quero que você experimente essas sensações, por isso nunca vou te contar como isso começou da mesma forma que os meus personagens não sabem, quero que você saiba tanto quanto eles e caminhe nesse mundo da mesma forma que eles, explore essa realidade da mesma forma que eles.

Chega a ser sedutor como de repente vira um enigma que não faz mais diferença ser desvendado, pelo menos partes dele, pelo menos para alguns de nós - sobre The Walking Dead, não me importa mais saber se existiu um paciente zero - se torna irrelevante esmiuçar todos os detalhes quando você pode entrar na mente do personagem e deixar fluir sob essa óptica.  

Há outros casos, mas esse foi de longe o mais marcante porque foi o que me fez mudar essa visão. Eu levei isso para minha escrita, porque eu percebi que não saber tudo me leva para dentro da narrativa de uma forma incrivelmente unica então passei a explorar isso convidando o leitor a caminhar ao lado dos meus personagens. Eu comecei a ver tudo de um jeito diferente e nunca mais questionei tanto as pontas soltas, claro depois de xingar - muito - o autor porque ninguém é de ferro né.

sábado, 24 de outubro de 2015

A Culpa é Sua Sim



Esse post surgiu de uma forma muito aleatória mas preocupante. Eu fui em um grupo do Facebook divulgar uma estória que estou escrevendo e primeiro fiquei frustrada ao perceber que as pessoas procuram muito mais por romances e hots e a minha tinha um foco completamente diferente. Bom, gosto é gosto. Então continuei passando pelas postagens e vi uma divulgação que me chamou atenção, eu encontrei algo realmente problemático e preocupante. Era um trecho, ou sinopse (eu não me lembro, e não importa realmente) que claramente indicava uma agressão e deixava claro que era uma relação consentida. Veja, eu não quero julgar quem fez isso, eu não peguei para ler e não tenho o menor interesse, o problema é existir  interesse, o problema é a romantização do abuso. Pouco importa como surgiu aquela relação ou que rumo ela ia tomar. Eu sei que eu estava dentro de um grupo do Facebook com uma parcela estatisticamente pequena para analise mas isso não deveria acontecer porque é uma carta branca dizendo que o assédio está liberado, é velado e quase sutil mas assustadoramente real.

Então, vamos falar sobre isso? A vida imita a arte, isso é tão verdade, mas tão verdade. A mente doente de quem diz que uma mulher e até uma criança pede para ser assediada de acordo com suas roupas tem um senso de realidade tão distorcido que ver as pessoas apreciando e romantizando o abuso é quase - se não for exatamente - um convite para a própria prática. Isso não é engraçado, não é legal e ~ o mais doentio ~ não é romântico.

Nós temos um discernimento muito bom de certo e errado, nós fazemos campanhas, damos apoios, incentivos, ensinamos, denunciamos, na vida real é tudo muito bonito ( ou não, óbvio). Mas a família tradicional brasileira, aquela do comercial de margarina que nosso legislativo defende, tem uma noção bem esquisita desse certo e errado quando apoia o que a televisão ensina, quando vê um romance bizarro onde claramente não deveria existir. Não é na ficção que está o problema, mas quando esse público apoia o assedio em vez de criticá-lo ele está dizendo sim; quando esse mesmo público critica o assédio real o agressor debocha na sua cara. 


Quando você diz “criança viada”, quando você pede nudes de uma menina de doze anos, então eu diria que você chegou no auge do absurdo. É assustador como a forma com que o ser humano está lidando com criança revela a nossa sociedade e isso é uma coisa incrível da combinação entre internet e seres humanos: eu não preciso assistir MasterChef Junior para chegar até mim a catástrofe que virou os comentários absurdos sobre essas crianças - crianças. O fato de estar atrás de uma tela confere ao ser humano uma capa da invisibilidade das mais chocantes possíveis, ele se revela para o mundo como se ninguém pudesse vê-lo, mas sabemos que ele está ali e que aquilo é exatamente o que ele é quando desliga o computador e vai viver sua vida. Nós não concordamos, nós nos horrorizamos, mas acredite, alimentamos essa sociedade assim.





Um spoiler sobre a vida: se você acha que estou culpando a vitima, você é burro e não entendeu nada. Eu culpo a nossa sociedade, a nossa cultura sim.
Se você faz piada com assédio, estupro, racismo, homofóbicas, machistas, com pedofilia, com campanhas que visam apoio a pessoas que sofreram algum tipo de assédio, se você romantiza o assédio - sim, a culpa pela nossa sociedade ser assim também é sua.

Desculpa McFly, não era esse o futuro que você deveria encontrar.