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Siga o coelho e entre na toca, Aqui você vai encontrar textos sobre várias coisas te convidando a refletir. Mas lembre-se, eles foram escritos por alguém e expressam uma opinião, não uma verdade, você pode discordar ou não. * Spoilers estão identificados e ocultos, para ler selecione o trecho.

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quarta-feira, 12 de julho de 2017

Fight Like a Girl - A Força de Sansa Stark

*Pode conter spoiler de Game of Thrones



Julgar a vida alheia é uma delícia né. Mentira. É feio, não façam isso em casa, crianças. Mas tudo bem se estivermos falando de ficção, é para isso que serve a sétima arte (ou a oitava, no caso), não? Para subir os créditos e reescrevermos todo o roteiro num debate sobre enredo e personagens com os amigos - porque obviamente faríamos melhor que os escritores originais ou é isso o que pensamos como bons críticos de bar que somos quando debatemos toda uma cronologia bagunçada, ou uma adaptação ~um pouco~ diferente do livro ou tantas outras coisas. E olha, a ficção ta ai para isso viu, pode criticar a vontade. Porque se não pudermos entrar naquele mundo, trazer para nossas discussões diárias e reviver tudo aquilo entre nós, então não faz sentido que aquele universo exista. Melhor ainda do que essa imersão é a representação e identificação que criamos com o personagem.



Convenhamos, é muito confortável, cômodo e fácil para nós - muito bem alojados em um sofá, uma cama ou onde você preferir, diante da tela de sua escolha em meio a tantas opções que temos atualmente; em nosso atual contexto histórico - nos identificarmos com alguns personagens. É muito mais fácil enxergarmos força e determinação em certos personagens. Mas precisamos ter uma mentalidade muito preguiçosa para igualmente julgar outros personagens abstraindo todo o contexto no qual está inserido sem levar em conta todas as informações que nós temos e ele não dentro de seu contexto narrativo.



É muito mais fácil se identificar, apoiar e desejar elementos da personalidade de uma Arya Stark. Justamente porque ela distoa e sobressai em meio ao que esperamos atraindo a atenção para si. Ela é a menina corajosa que luta sozinha e foge para se salvar, que promete vingança e vai até o fim do mundo para se provar e alcançar seus objetivos. Ela nunca foi uma criança normal e nunca conseguimos ver o que seria uma criança normal porque ela nos fez perder esse referencial. Ficou muito confortável usar ela como o herói que nós buscamos hoje e desvincular tudo o que acontecia ao redor dos personagens. Mas se você não consegue amar Arya e não olhar para Sansa Stark sem chamá-la de Sonsa, você está sendo -no mínimo- preguiçoso. Preguiçoso por não enxergar a riqueza de conceito narrativo e como essa personagem é tão bem construída a ponto de ser odiada exatamente sem motivo (calma, eu vou explicar). Você, que está lendo esse post aprendeu sobre igualdade de gênero e como homens e mulheres têm os mesmos direitos e deveres, né? - a gente espera que sim, amém. Então, ali não era assim. Você com a sua mentalidade - estamos supondo que você tem uma concepção ideal de igualdade de gênero - enxerga coisas que a personagem nunca vai enxergar e foi educada de forma a não enxergar. Soma a isso o fato de que você está assistindo todos os núcleos da trama e a personagem não tem acesso ao mesmo conteúdo que você, leitor desse post :) Tá acompanhando? Tá vendo como essa galera foi injusta com ela?

Agora que estamos entendendo o motivo dela ter tido muitas atitudes tidas pelo fandom como condenáveis, que lhe renderam o título de Sonsa, vamos ver porque ela é um personagem forte. Sansa nasceu e cresceu em meio aos costumes daquela cultura, cultivando - ao contrário da irmã - sua ingenuidade acerca do mundo. Ela era quem ela foi educada para ser, quem sua cultura ensinava a ser e aprendeu muito mais sobre o mundo e a vida com o próprio mundo. Sansa é uma personagem forte porque em sua inocência viu seu mundo desmoronar, aprendeu sobre o mundo vivendo ele ao ser jogada na realidade e sobreviveu - sim, ela é uma sobrevivente - aos seus inimigos convivendo em meio a eles. Ela jogou e ganhou.

A mesma menina que saiu de Winterfell sobreviveu a Westeros, ela pode não ser mais a mesma menina, mas com toda sua ingenuidade inerente a sua idade e àquela cultura patriarcal ela cresceu em meio ao ambiente mais perigoso para ela. Em meio a interesses e jogos de poder, Sansa também aprendeu a usar suas próprias armas: burocracias e diplomacias.  

Vamos julgar sem preguiça de pensar em todo o universo narrativo por trás do personagem, ok? Ok. Mas só os personagens, julgar os amiguinhos não pode ;)

terça-feira, 27 de junho de 2017

Depois de todo esse tempo?



**Hoje, há vinte anos, Harry Potter saiu de um mundo particular e ganhou o mundo transformando a vida de milhares de pessoas para sempre. O mesmo livro de duzentas páginas que nenhuma criança iria ler, o mesmo livro recusado por várias editoras, o mesmo livro com um pseudônimo porque foi escrito por uma mulher - e quem leria um livro escrito por uma mulher? Hoje, há vinte anos, Harry Potter nasceu para o mundo para nos ensinar sobre amor, amizade, diversidade e superação.

~Mas você vai falar só sobre Harry Potter?
~Vou.
~Mas você já fez isso.
~O X fica ali em cima.

Se a vida imita a arte, a arte imita a vida e nem tudo é o que parece. Nós aprendemos que palavras são nossa inesgotável fonte de magia, capazes de causar grandes sofrimentos e também de remediá-los afinal foi justamente com palavras que JK tocou e mudou completamente a vida de tanta gente; aprendemos que nossas escolhas mostram quem somos muito mais do que nossas habilidades porque o que fazemos com aquilo que somos é o que realmente nos define e nós temos o poder de escolher; que podemos encontrar felicidade mesmo nas horas mais sombrias - não que seja fácil. Acima de tudo, que existe muito mais por trás de alguém além de rótulos ainda que a gente insista em encaixar as pessoas em rótulos em nosso dia a dia. Se o bruxo mais corajoso que já existiu foi um Sonserino que viveu e morreu por amor e o mais covarde foi um Grifinório, como podemos olhar para alguém e julgar a pessoa ou enfiá-la em conceitos que nunca poderão definir completamente alguém? Não seria estúpido?

Em meio a uma releitura da segunda guerra na qual Voldemort caça trouxas e meio sangue, num texto cheio de metáforas e simbolismos fantásticos sobre igualdade e diversidade sobre a importância de ser você mesmo e como as nossas diferenças nos unem; aprendemos que o amor é o feitiço mais poderoso. O poder do amor e da amizade se misturam e nos envolvem no meio de todo o caos da guerra, porque no fundo cada um são personagens tão humanos que tem em si sua própria luz e trevas reveladas a nós conforme somos tragados em meio a magia desse mundo.



E, aprendemos ainda que, para a mente bem estruturada a morte é apenas a grande aventura seguinte. Não somos, obviamente, nenhum Dumbledore, e não estamos preparados para isso nem lá e nem no nosso mundo trouxa.. Embora Harry tenha escolhido viver e a gente saiba que podemos fazer nossas próprias escolhas. Embora depois de tudo isso a gente tenha aprendido a ver o mundo e as pessoas de outra forma, embora muitas outras coisas.

Mais do que uma geração com começo, meio e fim, o fandom é toda uma legião que cresce a cada dia sem qualquer fronteira. Essa magia poderosa sobre amor, amizade, diversidade está em cada um e se renova a todo momento como um organismo vivo.

Muito obrigada, JK.

After all this time?
~Always

**Só é amanhã quando eu acordo, se eu ainda não fui dormir, ainda é hoje (26-06), ok? ok.

domingo, 17 de julho de 2016

O Fim de Uma Era, O Início de Uma Lenda




O dia 15 de julho pode parecer uma data como outra qualquer, mas se você é um fã de Harry Potter sabe que ela representa o marco do fim de uma era na vida de uma legião de tantos outros fãs- e se não é, não conhece o sentimento único de ter vivido essa era. O dia do lançamento do último filme colocou fim a toda a trajetória narrativa definitivamente e matou o sentimento de esperar por algo mais um ano, mais um mês, mais um pouco, mais uma teoria… mais uma esperança. Colocou um ponto final - necessário em toda grande estória - e lançou-o para a história com todo seu mérito.



Moça, a senhora não está sendo tendenciosa? ~estou sim, é um relato de fã ~ ah, ok

Ser fã de Harry Potter é especialmente peculiar quando, em primeiro lugar, você acompanha sete anos da vida dos personagens vendo eles crescerem e se desenvolverem em momentos delicados como a infância e adolescência - na maioria das vezes junto com você, independente da sua idade ou do momento em que você viva estará crescendo e amadurecendo junto com eles. Isso é particularmente único e traz uma experiencia de imersão naquele universo narrativo.

Com personagens profundos, complexos e humanos, tão humanos que em meio a trevas e luz de cada um vemos seus medos e anseios mesmo naqueles mais sombrios entre metáforas e simbolismos. Um mundo mágico com o bem e mal relativos e distorcidos que faz com que se enxergue um pouco de nós em cada personagem criando uma identidade e afinidade com a estória. Entre tantas mensagens que a estória traz, a discriminação óbvia e latente entre bruxos/não bruxos se destaca como uma metáfora para vários problemas reais puxando nas entrelinhas todas as outras. Você que já sofreu com algo, é uma pessoa diferente dos colegas da escola, tem problemas com sua família ou tem uma renda mais baixa, ou não tinha nenhum desses problemas mas precisou lidar com algo pessoal em algum momento vai se sentir representado de todas as formas possíveis nas entrelinhas desse mundo mágico e secreto cheio de mensagens profundas por trás da narrativa simples e acolhedora.


Disfarçado de ~livro de criança~ a estória é, no fundo, com toda a simplicidade de seu texto uma releitura da segunda guerra com simbologias de grandes problemas reais que enfrentamos ainda nos dias de hoje. Para pessoas de todas as idades, com uma fundamentação narrativa estruturada de forma que suas mensagens toquem a cada um de uma forma diferente agindo em suas necessidades pessoais e indicando-os caminhos. Conforme seus leitores crescem e amadurecem, os personagens também crescem, mas nunca estarão velhos demais para esse mundo com tantas leituras e níveis de interpretações diferentes.

Se ~ Palavras são, na minha não tão humilde opinião, nossa inesgotável fonte de magia. Capazes de ferir e de curar., segundo Alvo Dumbledore ~ a autora fez delas seu melhor uso dando aos fãs da saga uma experiencia especial em seu percurso e ensinamentos.

Com dois dias de atraso, deixo meu muito obrigada a J.K.


~After All This Time?
Always

sábado, 10 de outubro de 2015

Muito Além dos Teams




Pense em um livro, pode ser o seu preferido, você é team o que? Ah, com certeza você pensou que eu estava falando do triangulo amoroso, mas por que você não pensou no herói ou na luta do bem contra o mal? Talvez nas questões e dilemas, ou quaisquer outros personagens, esse livro que você pensou fala exclusivamente de um triangulo amoroso? Então a capa dele deveria ser “com quem fulano fica”, nesse caso, na primeira página você deveria ler algo como “ignore toda a minha estória e se preocupe só com meu personagem principal e sua felicidade amorosa, foi para isso que eu fui escrito”.

Se nem Deus tem um fandom infalível, livros, filmes e séries não estão imunes a ter um tão problemático e as vezes até superficial que briga entre si enquanto deixa passar as verdadeiras questões da estória que, na verdade, deveria uni-los. Ocupados demais em separar-se e rivalizar-se em teams, shipps e discutir quem deve ser o casal definitivo, além (é claro) de quantificar e qualificar fãs e posers, todo o debate - muitas vezes realmente complexo - acaba num pano de fundo sujo, apagado e esquecido.

Claro que uma história de amor da um tempero diferente para uma guerra, um fim de mundo, uma desordem qualquer, mas sério? Vocês (ou nós, depende), legião de fãs não podem se resumir a quem vai ficar com quem, porque as estórias são muito mais do que isso - OK, a maioria.

Posso falar só de Jogos Vorazes aqui no meu espaço de exemplos? (pode moça, o blog é seu - obrigada). Se passa no futuro e a sociedade vive um regime totalitário, os jogos são realizados pela capital anualmente entre os doze distritos sob sua tutela. Katniss se oferece no lugar de sua irmã para impedi-la de ir para os jogos e protegê-la.  A população é obrigada a assistir pela televisão seus tributos lutarem até a morte e, olha só, até aqui eu não mencionei romance, olha quanta coisa tem nesse contexto. Tudo isso é sinopse viu gente, vou falar mais depois da tag.
[spoiler] Jogos Vorazes tem referencias a Roma Antiga: as carruagens, as bestas na arena, o pão & circo, esse ultimo tão presente hoje em dia e é esse o elemento que torna a estória tão atual e tão real. Não pela arena em si, pelos jogos, pelos realitys, por usar um entretenimento para desviar a atenção da população dos problemas de verdade. Claro que fora a capital e os carreiristas há controvérsias sobre o grau de entretenimentos dos jogos, em todo caso continua sendo um grande reality. E os nossos entretenimentos do dia a dia? como olhamos para eles?
Eu me lembro de uma cena que me chocou: uma reunião com os vencedores restantes, logo antes do ritual de execução do presidente Snow, em que eles devem decidir sobre um novo e simbólico Jogo com crianças da capital, crianças relacionadas com aqueles que possuíam maiores poderes. Katniss diz sim, por Prim. É como se tudo o que ela passou até ali tivesse sido em vão - não vem ao caso aqui o fim do livro e como as coisas se resolvem depois disso - porque havia uma causa em questão que, sendo a decisão dela movida por algo ou não, ela estava jogando fora com esse sim e eu achei isso chocante. Como se, depois da segunda guerra tivesse uma reunião para votar campos de concentração para loirinhos de olhos azuis simbolicamente como vingança ou tantos outros exemplos igualmente reais. Essa cena diz tanto, mas tanto de nós e da nossa realidade, de como somos e agimos. Não, eu não estou negando que a relação de Katniss com Peeta ou Gale não tenha importância para o desenvolvimento da personagem, suas decisões e que isso não reflita no desenrolar da estória, mas vejam quanta coisa importante existe além disso.[/Spoiler]


Vou deixar aqui esse video :)




Então pegue aquela estória em que você torce para o Frederico ficar com a Ferdinanda, abra a cortina dos shipps e mergulhe na essência daquele mundo. - Você ainda pode torcer para FF, mas não esquece de manter os olhos bem abertos para o que aquele universo está tentando lhe dizer.