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Siga o coelho e entre na toca, Aqui você vai encontrar textos sobre várias coisas te convidando a refletir. Mas lembre-se, eles foram escritos por alguém e expressam uma opinião, não uma verdade, você pode discordar ou não. * Spoilers estão identificados e ocultos, para ler selecione o trecho.

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terça-feira, 27 de junho de 2017

Depois de todo esse tempo?



**Hoje, há vinte anos, Harry Potter saiu de um mundo particular e ganhou o mundo transformando a vida de milhares de pessoas para sempre. O mesmo livro de duzentas páginas que nenhuma criança iria ler, o mesmo livro recusado por várias editoras, o mesmo livro com um pseudônimo porque foi escrito por uma mulher - e quem leria um livro escrito por uma mulher? Hoje, há vinte anos, Harry Potter nasceu para o mundo para nos ensinar sobre amor, amizade, diversidade e superação.

~Mas você vai falar só sobre Harry Potter?
~Vou.
~Mas você já fez isso.
~O X fica ali em cima.

Se a vida imita a arte, a arte imita a vida e nem tudo é o que parece. Nós aprendemos que palavras são nossa inesgotável fonte de magia, capazes de causar grandes sofrimentos e também de remediá-los afinal foi justamente com palavras que JK tocou e mudou completamente a vida de tanta gente; aprendemos que nossas escolhas mostram quem somos muito mais do que nossas habilidades porque o que fazemos com aquilo que somos é o que realmente nos define e nós temos o poder de escolher; que podemos encontrar felicidade mesmo nas horas mais sombrias - não que seja fácil. Acima de tudo, que existe muito mais por trás de alguém além de rótulos ainda que a gente insista em encaixar as pessoas em rótulos em nosso dia a dia. Se o bruxo mais corajoso que já existiu foi um Sonserino que viveu e morreu por amor e o mais covarde foi um Grifinório, como podemos olhar para alguém e julgar a pessoa ou enfiá-la em conceitos que nunca poderão definir completamente alguém? Não seria estúpido?

Em meio a uma releitura da segunda guerra na qual Voldemort caça trouxas e meio sangue, num texto cheio de metáforas e simbolismos fantásticos sobre igualdade e diversidade sobre a importância de ser você mesmo e como as nossas diferenças nos unem; aprendemos que o amor é o feitiço mais poderoso. O poder do amor e da amizade se misturam e nos envolvem no meio de todo o caos da guerra, porque no fundo cada um são personagens tão humanos que tem em si sua própria luz e trevas reveladas a nós conforme somos tragados em meio a magia desse mundo.



E, aprendemos ainda que, para a mente bem estruturada a morte é apenas a grande aventura seguinte. Não somos, obviamente, nenhum Dumbledore, e não estamos preparados para isso nem lá e nem no nosso mundo trouxa.. Embora Harry tenha escolhido viver e a gente saiba que podemos fazer nossas próprias escolhas. Embora depois de tudo isso a gente tenha aprendido a ver o mundo e as pessoas de outra forma, embora muitas outras coisas.

Mais do que uma geração com começo, meio e fim, o fandom é toda uma legião que cresce a cada dia sem qualquer fronteira. Essa magia poderosa sobre amor, amizade, diversidade está em cada um e se renova a todo momento como um organismo vivo.

Muito obrigada, JK.

After all this time?
~Always

**Só é amanhã quando eu acordo, se eu ainda não fui dormir, ainda é hoje (26-06), ok? ok.

sábado, 3 de junho de 2017

Nós Precisamos Falar Sobre Sense8



Existem coisas na vida que não trabalham com meio termo e despertam amor ou ódio nas pessoas, ainda que uma boa parcela desses grupos deixe se levar pelos motivos errados - é muito triste, se não trágico como tanta gente reduz Sense8 a sexo. Convenhamos, grande parte dessa aversão é responsabilidade - sim, não quero usar culpa aqui - do próprio fandom quando ele se divide em brigas particulares e internas passando uma imagem completamente errada e imatura sobre algo que deveria ensinar sobre ser humano - ou milhares de outras mensagens igualmente importantes, em tantos outros casos. Tudo bem, se nem Deus tem um fandom perfeito quem dirá uma simples série? Mas não estamos falando de uma simples série. Nós precisamos falar sobre Sense8.  ~ Mas você vai falar só sobre Sense8? // Vou // Só sobre Sense8? // Vou // Mas já tem tanta gente falando // Você pode clicar no X ali em cima ~

A verdade é que grande parte de quem ama ou odeia, ama ou odeia Sense8 exclusivamente por causa das cenas de sexo (oi, vamos falar sobre as nossas novelas super moralistas?). Mas hipocrisias a parte, todo grupo de pessoas tem um subgrupo que distorce as ideias desse grupo e são exatamente essas ideias erradas que as pessoas de fora vão colocar uma lupa e usar para julgar as coisas, na maioria das vezes sem conhecer - sim, as pessoas fazem isso, eu sinto muito. Se você ama Sense8 por causa das clássicas cenas de suruba ou se você odeia Sense8 por causa das clássicas cenas de suruba, nós temos algumas opções: você assistiu errado, assiste de novo; você nunca assistiu e julgou sem conhecer, vai assistir e formar sua opinião; fim. Se você gosta ou não por qualquer outro motivo, parabéns por não se comportar como uma criança olhando para o livro de biologia. ~ Apesar da classificação indicativa, grande parte do público não entendeu essas cenas de sexo e tratava elas como uma criança de treze anos na aula de biologia, sinto muito por isso Lilly e Lana Wachowski.


Sense8 é antes de tudo sobre ser humano e trata a diversidade como um mecanismo natural da evolução, a diversidade em seu conceito mais puro e amplo: a conexão humana. Como falar em ser humano como verbo sem falar em sexualidade, machismo, racismo, intolerância religiosa, desigualdade social, preconceito, coragem, amor, família, amizade, união, solidariedade... ? A complexidade que conecta as pessoas é muito maior e mais profunda do que isso e, como falar sobre conexão humana sem desconstruir tudo o que já conhecemos e repensar todos os conceitos do mundo? Porque não existe conexão humana se primeiro você não se despir de todos os rótulos que o mundo te ensinou até hoje e olhar para as pessoas a sua volta da forma mais pura que existe, para enxergar sua alma e seus sentimentos, seus pensamentos e suas necessidades - para enxergar outro ser humano como você. Sense8 ensina a repensar tudo o que já aprendemos até hoje sob outra perspectiva a partir do momento em que coloca a relação com o outro como um aspecto da evolução. O que poderia ser mais profundo do que olhar para uma pessoa como outro ser humano?

Mais que isso, é sobre empatia. E você não precisa ser homem, mulher, feminista ou gay para se identificar com a pessoa ao seu lado, só precisa ser humano para ter empatia.

Enquanto estivermos juntos, eu sei que não tem nada que não podemos fazer

Sense8 era uma série ousada em muitos sentidos, tanto conceitual quanto executivo. Você não pode falar para as pessoas reformatarem seu HD interno e redefinirem seus conceitos esperando que fique tudo bem, também não pode gastar nove milhões por episódio e esperar que fique tudo bem. Como toda grande ousadia tem seus riscos, Sense8 encontrou seu fim precoce. Mas também deixou todo um legado e seu fandom é o maior cluster do mundo que vai passar adiante cada mensagem.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Todos os Porquês do Mundo

13 Reasons Why vai para seu segundo mês e já não é nem de longe uma novidade, deixando espaço para outras polêmicas muito mais atuais no nosso mundo movido pela urgência da tecnologia onde vivemos a cada dia um novo ~museu de grandes novidades~ (enquanto corremos contra o tempo para chegar desesperadamente ao final de mais uma temporada e ao mesmo tempo fugir dos spoilers). - Cazuza tinha razão quando profetizou a nossa vida quase trinta anos atrás. Então porque vou falar sobre isso?


Por que uma menina morta mentiria?


Mas esse mesmo mundo é cheio de Porquês, então mesmo que um mês pareça anos e milhares de coisas já tenham acontecido e sido ultrapassadas, mesmo que milhares de coisas já tenham sido ditas sobre 13 Reasons Why - ainda que milhares de pessoas continuem por ai ignorando todas elas - , mesmo que milhares pessoas já tenham sido atingidas pela importância de 13 Reasons Why e isso tenha sido exaustivamente debatido, acredite… ainda existem milhares de Porquês no mundo. Ainda existem milhares de Porquês em todos os lugares, assim mesmo com maiúscula, pessoas porquês.  Por isso mesmo depois de tanto tempo, depois dessa infinidade de coisas que já aconteceram em tão pouco tempo ainda é importante falar sobre o quão absurdo é existirem tantos Porquês.

Hannah Baker deixa uma caixa com fitas cassete nas quais ela gravou todos os motivos que levaram ela a cometer suicídio, essas fitas são endereçadas a cada um que contribuíram para seu declínio. Ou seja, cada um que era um Porquê tem sua própria fita contando o que fez e como aquilo ajudou a matar Hannah. Todos, de alguma forma, afetaram a vida de Hannah. Ela deixa como um aviso e (por que não?) uma satisfação, quem sabe um alerta. Mas ela também desencadeia um efeito dominó ao disparar milhares de gatilhos em nós e em todos a sua volta mesmo depois da sua morte. [spoiler] Enquanto nós somos arrastados e levados com ela cada vez mais para o fundo do poço, vemos disparar um gatilho atrás do outro desde os mais comuns como bullying no colégio até relacionamentos, abusos,  machismo, cultura do estupro, estupro e por fim o próprio suicídio. Todos a sua volta a quem as fitas estão endereçadas contribuíram para o rumo angustiante e desesperador que sua vida toma enquanto ela tenta pedir ajuda de várias formas. Menos Clay, ele não fez absolutamente nada e foi exatamente isso o que ele fez de errado. Porque se você vê tudo o que está acontecendo de errado e não faz nada para impedir, você é parte de tudo aquilo. O maior erro do Clay foi estar presente em cada um dos momentos de alguma forma, direta ou indiretamente e não salvar Hannah dos outros ou dela mesma. Ele foi um espectador da vida dela quando poderia ter sido parte dela. Hannah coloca ele nas fitas como um dos porquês com outra explicação mas a verdade é que ele assistiu muitas coisas acontecerem assim como muitas pessoas assistem muitas coisas acontecerem todos os dias e se calam. Existem muitos Clays que poderiam mudar muitas histórias de muitas Hannahs todos os dias. [/spoiler]

Então eu acho muito seguro dizer que a maior mensagem da série é empatia e foi ai que eu percebi que havia algo muito errado com as pessoas. O primeiro grande paradoxo aconteceu ainda enquanto eu assistia a série, eu estava lendo comentários sobre um dos episódios em um aplicativo e algumas respostas eram pesadas, ignorantes e discriminatórias, era um absurdo e sem sentido que aquelas pessoas estivessem assistindo a mesma coisa que eu. Eu não conseguia entender como aquilo não estava tendo o mesmo impacto naquelas pessoas, como elas poderiam agir daquela forma ou pior: como elas poderiam absorver tudo o que estavam assistindo e ainda assim agir daquela forma com tanto ódio e preconceito.

Numa tentativa de fugir das nossas responsabilidades e nos isentar das nossas culpas diárias, buscamos desesperadamente justificativas para nossos atos ao nos apresentarmos aos outros com uma identificação com Hannah Baker, quando na verdade somos todos Porquês fugindo do choque de uma realidade escancarada nos escondendo de nós mesmos. Sejam esses atos grandes ou pequenos. Em meio a tantos gatilhos a que somos expostos ao longo das treze fitas, é mais fácil - e muito conveniente - sermos uma Hannah do que admitirmos que já fomos um (ou muitos) Porquê alguma vez na vida e encarar que a realidade é muito pior do que gostaríamos. Para não ser um Porquê temos que saber que podemos ser um a qualquer momento, temos que aceitar que provavelmente já fomos um em algum momento e que terrivelmente podemos ser de novo. Mas podemos não ser e isso só depende de como encaramos e aceitamos todos os porquês do mundo. Nós vivemos todos os dias milhares de gatilhos e todas as pessoas a nossa volta também, cada um trava sua própria batalha para desviar deles e sobreviver ao mundo - e a si mesmo. 


 Todo mundo que você encontra está lutando uma batalha que você não conhece, seja gentil sempre.

 
Já temos gatilhos demais no mundo, não seja mais um Porquê na vida de alguém. Existem muitos pedidos de ajuda silenciosos a nossa volta e tudo o que essas pessoas precisam é empatia.

terça-feira, 21 de março de 2017

Mas Homofobia Não Existe





Oi, vamos falar sobre homofobia? Ah, mas homofobia não existe, olha só quanta diversidade nos filmes, séries, novelas, já estão enfiando homossexualidade em tudo hoje em dia. É, e foi justamente isso que eu li hoje, que “estão enfiando homossexualidade em tudo” e não precisa de ~mais um personagem gay porque já tinha um casal homossexual, em The Walking Dead no caso~ então vamos falar sobre isso?

Está na moda personagem gay né? Você com certeza já falou ou ouviu isso - pelo bem da humanidade esperamos que você seja o segundo caso. Afinal, sempre foi ~moda~ personagem hétero? Representar verossimilhança do mundo real não é enfiar algo no produto audiovisual. O mundo está cheio de heterossexual, assim como está cheio de homossexual, mas olha que engraçado esses filmes e séries cheio de gente branca e hétero parecendo um comercial de margarina de duas horas completamente moldado e adaptado para uma realidade parcial. Se você se incomoda com o que vê na sua TV porque ela está representando o que existe no mundo a sua volta, existe algo muito errado com você. Se você acha que -estão enfiando algo numa série que já tem demais- quando o personagem é exatamente fiel ao original, só porque ele é gay, tem algo muito errado com você.


[Spoiler]Na HQ Paul Monroe (Jesus) não tem a vida pessoal explorada e só sabemos sobre sua sexualidade quando Alex visita seu quarto em Hilltop reclamando que estava com saudade porque ele havia passado muito tempo fora, na ocasião Jesus passava a maior parte do tempo em Alexandria. Nós vemos ainda especulações entre os personagens a respeito do possível interesse de Aaron em Jesus tempo depois da morte de Eric. Ele é um personagem de extrema relevância que age entre os grupos principais entre a comunidade de Rick e Maggie, atua na guerra contra Negan e contra os sussurradores e sua sexualidade é irrelevante. [/spoiler] Nas palavras de Tom Payne, o ator que faz o personagem, sobre o ultimo episódio The Other Side ao ar em 19/03/2017 “Amei como a série lidou com isso e me toquei que não sei quando foi a última vez em que ele falou sobre isso com alguém. Então, isso mostra um bom relacionamento com Maggie. É uma cena tão pequena. Adorei como naquela pequena cena ele falou sobre viver em um orfanato e sobre seus namorados, revelando tanto sobre si mesmo naquele curto espaço de tempo, o que foi incrível. E, é claro, este é um apocalipse, então é ridículo se preocupar com a sexualidade das pessoas.”


The Walking Dead sempre teve seu casting de personagens heterogêneo e diversificado sem a intenção de entrar nesse debate, só porque existe e pronto. Walkers e apocalipse a parte, isso sempre foi algo realista e verossímil da série. É lindo olhar para uma representação narrativa de entretenimento e enxergar um tom de realidade dentro da sua ficção, enxergar que há uma representação fiel de pessoas que existem no nosso mundo em meio àquele universo narrativo. Com as mesmas pessoas normais que nós vemos na rua a nossa volta todos os dias.

Quantas produções sensacionais, com uma narrativa maravilhosa e profunda são apagadas e caem num debate ridículo sobre ter ultrapassado a cota de personagens gay porque já tem demais? Pense em um filme ou uma série qualquer que você goste, agora pense sobre os personagens e o quão mesquinho é colocar uma cota para a sexualidade dos personagens e deixar de olhar para o que se está contando. Se você não sabe olhar para a TV sem que a sexualidade de um personagem te incomode, você não está pronto para viver em sociedade.

E, se estamos falando de pessoas, pessoas comuns - pessoas - como podemos falar de modismo? Se estamos falando de seres humanos, é muita hipocrisia tratar sua representação com um ~está na moda.

domingo, 17 de julho de 2016

O Fim de Uma Era, O Início de Uma Lenda




O dia 15 de julho pode parecer uma data como outra qualquer, mas se você é um fã de Harry Potter sabe que ela representa o marco do fim de uma era na vida de uma legião de tantos outros fãs- e se não é, não conhece o sentimento único de ter vivido essa era. O dia do lançamento do último filme colocou fim a toda a trajetória narrativa definitivamente e matou o sentimento de esperar por algo mais um ano, mais um mês, mais um pouco, mais uma teoria… mais uma esperança. Colocou um ponto final - necessário em toda grande estória - e lançou-o para a história com todo seu mérito.



Moça, a senhora não está sendo tendenciosa? ~estou sim, é um relato de fã ~ ah, ok

Ser fã de Harry Potter é especialmente peculiar quando, em primeiro lugar, você acompanha sete anos da vida dos personagens vendo eles crescerem e se desenvolverem em momentos delicados como a infância e adolescência - na maioria das vezes junto com você, independente da sua idade ou do momento em que você viva estará crescendo e amadurecendo junto com eles. Isso é particularmente único e traz uma experiencia de imersão naquele universo narrativo.

Com personagens profundos, complexos e humanos, tão humanos que em meio a trevas e luz de cada um vemos seus medos e anseios mesmo naqueles mais sombrios entre metáforas e simbolismos. Um mundo mágico com o bem e mal relativos e distorcidos que faz com que se enxergue um pouco de nós em cada personagem criando uma identidade e afinidade com a estória. Entre tantas mensagens que a estória traz, a discriminação óbvia e latente entre bruxos/não bruxos se destaca como uma metáfora para vários problemas reais puxando nas entrelinhas todas as outras. Você que já sofreu com algo, é uma pessoa diferente dos colegas da escola, tem problemas com sua família ou tem uma renda mais baixa, ou não tinha nenhum desses problemas mas precisou lidar com algo pessoal em algum momento vai se sentir representado de todas as formas possíveis nas entrelinhas desse mundo mágico e secreto cheio de mensagens profundas por trás da narrativa simples e acolhedora.


Disfarçado de ~livro de criança~ a estória é, no fundo, com toda a simplicidade de seu texto uma releitura da segunda guerra com simbologias de grandes problemas reais que enfrentamos ainda nos dias de hoje. Para pessoas de todas as idades, com uma fundamentação narrativa estruturada de forma que suas mensagens toquem a cada um de uma forma diferente agindo em suas necessidades pessoais e indicando-os caminhos. Conforme seus leitores crescem e amadurecem, os personagens também crescem, mas nunca estarão velhos demais para esse mundo com tantas leituras e níveis de interpretações diferentes.

Se ~ Palavras são, na minha não tão humilde opinião, nossa inesgotável fonte de magia. Capazes de ferir e de curar., segundo Alvo Dumbledore ~ a autora fez delas seu melhor uso dando aos fãs da saga uma experiencia especial em seu percurso e ensinamentos.

Com dois dias de atraso, deixo meu muito obrigada a J.K.


~After All This Time?
Always

sábado, 16 de julho de 2016

[Watt-O-Que?] O Banco dos Leões


Vocês devem conhecer o Wattpad, não? Uma plataforma para postagem e leitura online, hoje uma estória que acompanho e gosto chegou ao seu primeiro 1k de leituras e decidi escrever uma critica sobre ela fazendo um post diferente aqui no blog. Entre tudo o que já li é o texto mais diferente que já vi e vou dizer o motivo ;)



Essa é a sinopse apresentada pelo autor:


Há muitos anos, o General do exército leonino, Tukufu, roubou a chave do banco da Cidade dos Cervos, que hoje sofre com uma grande crise econômica. Nos dias atuais, os cervos convivem com as privações, e, enquanto sua nação definha, correm o risco de morrer de fome. "O Banco dos Leões" conta a estória de Abbo, uma corça antropomorfizada que acaba recebendo a missão de ir à Cidade dos Leões e recuperar a chave de seu bando. Durante sua jornada, ela usará uma juba falsa para não ser descoberta - e, provavelmente, devorada. Este livro usa animais como alegoria para falar sobre o orgulho humano, que nos fortalece e enfraquece ao mesmo tempo. Em um mundo onde a política é fonte de poder dos comedores de carne, a língua é a melhor arma para uma corça camuflada.
Gênero: Aventura
Usuário: Leonardo-J-Santos

Nota:




O livro permite duas leituras: uma superficial dentro da literatura fantasiosa, para um público livre desde crianças até adultos com uma linguagem simples e uma leitura fácil que flui muito bem. A segunda é mais profunda e metafórica com analogias e referencias da nossa realidade em forma de ficção e aventura com animais falantes nos guiando pelo universo imaginário da corça Abbo.

Com a imersão nesse mundo formado por animais e tão realístico a ponto de ter um sistema politico com prefeitura e crises econômicas, encontramos delicadas questões sociais e relações pessoais. Personagens complexos e profundos que em seus atos mostram um reflexo do meio em que vivem e as necessidades de sua comunidade, suas personalidades únicas e suas motivações - cada um com suas necessidades para manter a salvo seu respectivo povo e/ou família. O leitor encontra nos detalhes uma critica social e um espelho das ações humanas no meio de jogos políticos, embalado por um texto bem humorado e leve.

Nós temos uma diversidade muito vasta a nossa disposição, mas O Banco dos Leões é peculiar em sua narrativa pela forma como aborda os assuntos tão naturalmente, te carregando para dentro de um mundo encantador com animais falantes com seus problemas para resolver enquanto você caminha ao seu lado sem se dar conta - num primeiro momento - da complexidade desses elementos preocupando-se apenas com as resoluções de tais questões pessoais de cada um deles. Afinal, Abbo precisa recuperar a chave para seu bando e você precisa andar ao seu lado e descobrir o que acontece. É sem duvida o texto mais diferente e encantador que já li, com uma profundidade especialmente unica em meio a esse mundo.

A estória se encontra nesse link:
https://www.wattpad.com/story/63425192-o-banco-dos-le%C3%B5es/parts

Página:
https://www.facebook.com/obancodosleoes/


sexta-feira, 15 de abril de 2016

Um Filme Grande Para Mentes Pequenas




A internet é um país muito curioso onde acontecem todas as tretas e controvérsias - curiosa e obviamente também é onde esses textos são escritos, olha só. - nós recriamos palcos de grandes guerras como Sith x Jedis, Guerra Civil, fora outras guerras que se desdobram nos comentários de pessoas como eu ou você em artigos críticos ou posts de redes sociais porque, afinal, uma peculiaridade do ser humano é essa coisa de ter que estar certo. E, convenhamos, críticos não estão exatamente certos, a maioria sequer entendeu bem o conceito de critica - não, não é criticar algo de forma absolutamente negativa. Se você abstraiu os críticos e foi assistir seu filme - seja qual for - , parabéns. Mas, se você entrou na onda da critica dos grandes sites ou das redes sociais (desculpe) você é um babaca. Dai nasceu uma nova guerra: críticos x fã do filme x fã da HQ x … fã da Marvel x fã da DC - não pera -  x ( … ) x nada não eu só curto uma treta mesmo.

Verdade incontestável número um: um filme ou uma série sempre será uma adaptação e nunca a obra original de onde a estória saiu. Número dois: nunca caberá em duas horas tudo o que gostaríamos de ver e entender; diretor, roteirista e editor não fazem milagre - mentira, faz sim, acredite porque você nem imagina o que eles fizeram para você poder assistir seu filme. Agora que você entendeu essas duas verdades podemos conversar. Eu estava tentando entender essa divergência entre amor e ódio pelo filme Batman vs. Superman (com a licença de vocês vou discutir ele hoje / fica a vontade miga / obrigada) e, veja eu li várias criticas e comentários,  cheguei a conclusão que as pessoas não falavam do mesmo filme. ~mas é possível? Sim ‘-’ ~ Possivelmente os grandes críticos ganharam bem para falar mal, boa parte dos leitores da HQ também receberam para procurar divergências e furos e uma parcela estava lá só para ver a parte positiva mesmo.



Em um cenário sombrio - sim raios, o que se esperava? tudo colorido, bonitinho e feliz? Porque diabos até isso foi um problema? - temos um Superman enfrentando um momento critico no qual a confiança da população foi abalada e desencadeou seu questionamento moral sobre sua função entre as pessoas. Do outro lado temos o Morcego justiceiro combatendo o crime em Gotham. Ambos tem concepções diferentes, histórias diferentes e abordagens diferentes para lidar com o crime, suas origens e histórias interferem claramente em seu desenvolvimento e levam ao que eles se tornaram. A perfeição e benevolência extraterrestre, impossível de ser alcançada por um ser humano, obviamente rejeitada por muitos porque você rejeita aquilo que não te é natural e que você sabe que jamais vai atingir; e a fuga da realidade de um humano que usa a caça contra o crime para fugir de uma realidade e superar traumas do passado. Enquanto Superman prefere ser Clark, Wayne prefere ser Batman atrás do disfarce controverso que ajuda a superar seus traumas e coloca a justiça em suas mãos. Uma justiça tão questionável que coloca em xeque a moral relativizando-a -  bandido bom é bandido morto? - mas tudo bem, ele está combatendo o crime. Ironicamente é muito mais fácil para a população (e os espectadores) se identificar com Batman do que com um desastrado Superman que em sua perfeição de bondade e falta de humanidade - criado e educado para ser bom - causa tantos problemas para pessoas de fato inocentes.


[Spoiler] Segundo sua concepção moral, Superman não aceita a metodologia de caça a criminosos implantada em Gotham; por outro lado os últimos acontecimentos no deserto seguido pela explosão que o mesmo não foi capaz de impedir ou sequer prever foram suficientes para inclui-lo na lista de criminosos de Batman como alguém que merece tanta confiança da população como qualquer outro bandido. Ironicamente, em suas concepções, ambos estavam certos. Suas crenças e valores só fizeram com que afundassem cada vez mais nos jogos de Lex jogando um contra o outro, mergulhados no abismo que haviam entrado foram incapazes de ver que existia um problema real entre eles, maior do que a questão moral de caçar criminosos ou colocar civil em risco - enquanto que para ambos a questão sempre foi proteger a cidade, por um meio ou outro. [/Spoiler]

Aparte controvérsias e diferenças quaisquer, - porque não li mesmo e ainda que tivesse lido não era isso que queria colocar - eu me pergunto se alguém enxergou todo o paradoxo de identidade e a complexidade do dilema moral, porque é tão bom e diferente de tudo que já tivemos até aqui. Porque temos essa identificação tão controversa.

Se ainda assim você não gostou, você assistiu errado. Assista de novo.